Lua, Ceres, Plutão e a mãe sufocante

Credit: JackF via iStockphoto
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The following is a loose translation in Portuguese of the blog post, “The Smothering Mother: Natal Moon, Pluto and Ceres.” The original essay was by Nadia Gilchrist; the translation is by Márcia Q. Fervienza. The use of the first-person in this translation is from the perspective of the translator.

Como terapeuta, trabalho desde a base freudiana (ou seja, a maior parte dos problemas da vida adulta podem ser identificados em experiências da infância) e com a Teoria do Apego (conforme descrito por John Bowlby aqui). Como a Lua e Ceres são indicadores importantíssimos de maternidade e nutrição emocional, uso muito estes dois elementos no mapa para entender melhor o cliente à minha frente e poder entender melhor os problemas que ele/ela enfrenta na vida adulta. A Lua e Ceres não me dizem que é/foi sua mãe, mas como você a percebeu e vivenciou, o que afeta profundamente quem você é (se for mulher cis hétero) ou como se relaciona com as mulheres da sua vida (se for homem cis hétero).

A primeira coisa que busco são aspectos difíceis entre elas (Lua ou Ceres) com Saturno, Urano, Netuno e Plutão. E como portadora de uma Lua oposta a Plutão, que está conjunto a Ceres, deixa eu te contar em primeira mão o que isso costuma significar no mapa natal.

Se seu Plutão natal estiver envolvido em aspectos tensos com a Lua ou Ceres no seu mapa, seu cenário específico de nutrição na infância envolve ameaças e perdas constantes, reais e simbólicas. E isso, obviamente, afetará seus relacionamentos adultos; seus sentimentos sobre seu parceiro estarão sempre cobertos por uma camada poderosa dor, medo e amor.

A nossa Lua natal descreve necessidades básicas e reações emocionais. Embora possa representar qualquer cuidador da nossa primeira infância (incluindo nosso pai), ela é mais frequentemente associada à nossa mãe. Para os propósitos deste artigo, vou me concentrar na figura materna.

O mito de Ceres e Plutão

Repassando brevemente o mito de Ceres: ela era conhecida como deusa da colheita e vivia em plena harmonia com sua filha, o que a tornava abundante com os grãos que a terra dava. Até que um dia sua filha Perséfone foi sequestrada por Plutão, Senhor do Submundo. Em seu luto pela perda da filha, Ceres deixou que as colheitas morressem, até que sua filha fosse autorizada a voltar acima do solo com ela. Ela conseguiu negociar apenas parte do seu objetivo: embora ela tenha conseguido o retorno de Perséfone, sua convivência com ela era permitida por somente 6 meses no ano. Durante os outros 6 meses, ele deveria retornar para o seu marido no submundo, o que gerou o ciclo de crescimento, morte e renascimento que temos hoje na natureza e na vida. Quando Ceres tinha Perséfone ao seu lado, as colheitas eram abundantes (Primavera e Verão). Quando Perséfone voltava pro submundo, as colheitas morriam (Outono e Inverno).

Assim, quando nosso Plutão faz aspectos a Lua e/ou a Ceres, podemos ver um reencenação deste mito como uma parte fundamental do nosso relacionamento com nossa mãe, dos nossos relacionamentos futuros e dos nossos relacionamentos com nossos filhos.

Na prática

Qualquer aspecto entre Lua e Ceres fará com que o carinho (ou a falta dele) na infância seja um grande problema em nossas vidas. A ameaça da morte (real ou imaginária) ou a mãe sufocante também serão problemas. Plutão intensificará essas primeiras experiências, enfatizando a transformação através da perda. Quando Plutão aspecta a Lua, há uma lição a ser aprendida sobre dependência emocional. Devemos nos tornar emocionalmente seguros e independentes, mas o caminho para a autossuficiência desencadeará experiências de abandono e rejeição primeiro. Aprendemos através do contraste.

No mapa

Digamos, então, que você tenha uma conjunção Plutão/Ceres no seu mapa, e ela forma uma quadratura com sua Lua. Uma conjunção é geralmente considerada um aspecto harmonioso, pois implica unidade. Mas você sempre tem que olhar quais energias estão sendo unificadas. Por si só, esta conjunção poderia implicar uma profunda compreensão e aceitação de que finais são inevitáveis e de que nada dura para sempre. Esse entendimento poderia ser resultado de um incidente com a sua mãe na infância que levou à sua perda. As especificidades variam, mas ele se conecta diretamente a experiência de ser nutrido com a perda.

Agora, adicione a quadratura com a sua Lua. Aqui soma-se uma crise envolvendo sua mãe. Pode ter havido uma ameaça direta ou indireta à sua sobrevivência. Talvez houvesse o risco de você ser tirado dela. Ceres era tão intensamente apegada à filha que permitiu que as colheitas morressem e o mundo passasse fome quando Perséfone foi sequestrada. Assim, o tema subliminar de Ceres é a recusa em deixar ir. A tensão ativa da quadratura sugere o cuidado como mecanismo de controle: o cuidado sufocante da mãe, que tenta evitar a repetição do trauma anterior. Ou o excesso de carinho como o medo de sua mãe de perder você.

Na vida adulta

Como adulto, você pode inconscientemente imitar os padrões de sua mãe em seus relacionamentos. Essa quadratura entre sua Lua e Plutão torna as suas necessidades emocionais bastante intensas. Você inconscientemente aborda qualquer situação íntima como um cenário de vida ou morte. Plutão desencadeia impulsos de tudo ou nada. Então, quando você expressa sentimentos por seu parceiro, você entrega tudo, quiçá sufocando-o com seu amor e preocupação. Isso estabelece a lição que Plutão está tentando ensinar. Quando você abraça alguém com muita força e por muito tempo, eventualmente ele tentará se libertar. Você aperta seu abraço como uma reação, e eles lutam mais para fugir. De repente, você está em uma luta de vida ou morte, mas você está protegendo ou ameaçando a vida do seu parceiro? Eventualmente, você acaba perdendo o que tanto ama, ou você reage à ameaça de perda iminente cortando abruptamente seus sentimentos, eliminando seu parceiro e reafirmando seu poder. Você se torna a mãe dominadora que controla o fluxo do sustento emocional.

Mas tudo tem um outro lado

O outro lado de qualquer aspecto de Plutão é a transformação. Adicione o tema da ressurreição de Ceres e você poderá ver o potencial de esperança. O caminho para o renascimento pode envolver sua própria viagem ao submundo. Você pode ter que confrontar o que aconteceu em seu relacionamento com a sua mãe, especialmente se essas questões estiverem soterradas, ou ter que passar por uma perda em um (ou mais) de seus relacionamentos, até ser capaz de viver com aceitação o “deixar ir”.

A frase “abrace o medo” nunca foi mais adequada do que com esses aspectos. Em vez de apertar seu parceiro em um aperto de morte, abrace a realidade inevitável de uma possível perda (se estamos vivos, estamos sujeitos a perder) e emerja da situação com uma sensação renovada de resiliência emocional. Você vai sobreviver, ainda que pareça que não, não importa o que aconteça. Você aprenderá que pode contar consigo mesmo, e essa percepção te permitirá se aproximar do seu par atual (ou do próximo) com verdadeiro carinho: um abraço de apoio que é leve o suficiente para permitir que a outra pessoa respire, mas poderoso o suficiente para fazê-la se sentir protegida. Porque você sabe, você sente, que a mudança inevitável não é o fim do seu mundo.